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Carta ao leitor: minhas experiências com o assédio moral

Na edição 96 da Você RH, o editor-chefe da revista conta o que viu e sofreu dessa violência que as empresas precisam combater.

Por Alexandre Carvalho
17 fev 2025, 15h00
Imagem de bonecos de madeira perfilados, representando assedio moral em empresas. Um deles está quebrado diante de outro boneco vermelho.
 (Andrii Yalanskyi/Getty Images)
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Custei a entender que aquele diretor de empresa não se encaixava no perfil dos praticantes de assédio moral. Afinal, não era só comigo. Era com todo mundo. Pegava no meu pé porque eu me recusava a escrever, na revista da empresa – que ia para clientes e imprensa –, mentiras deslavadas favoráveis à gestão dele; dizia que eu queria ser uma freira numa casa de prostituição.

O caso desse executivo era de gestão tóxica, não assédio moral. Gritava com a média gerência nas reuniões; vangloriava-se de conquistas que não eram dele; apontava culpados na frente dos colegas. Era escandaloso. E o assediador moral tende a ser (um pouco) mais discreto.

A diferença importante é que o assédio geralmente vai na direção de um único indivíduo ou de um grupo específico.

Eu tive o desprazer de testemunhar um caso extremo. A dona de uma editora de revistas segmentadas detestava meu chefe de redação. Só não o despedia porque ele era o único profissional ali que tinha um vasto conhecimento técnico sobre os temas das revistas, e a simpatia do outro sócio da empresa.

Só que, um dia, esse meu chefe decidiu visitar uma feira de negócios no exterior, para ampliar sua expertise com as tecnologias mais modernas do planeta. Nas férias dele. E com dinheiro do próprio bolso.

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Para a diretora, foi a gota d’água. Ela não queria que ele se desenvolvesse. Então fez uma “promoção horizontal” para esse colega. Ele virou “chefe de pesquisa”. Ficou sozinho numa mesa com um exemplar das Páginas Amarelas (tipo de lista telefônica, do tamanho da Bíblia, focada em empresas e serviços). Sem direcionamento nenhum, precisava identificar clientes em potencial. Era como achar um botão em meio às dunas de uma praia.

Claro, ele não demorou a pedir as contas.

Acho que foi o pior caso de assédio moral que vi. Mas não dá para saber. Porque só conhece de fato a dor provocada por essa agressão quem é o perseguido e humilhado: seja pelo cabelo crespo, por alguma deficiência física, pela orientação sexual… ou simplesmente por não cair nas graças de alguém influente na organização. Uma empresa que só tem a perder talentos enquanto não toma medidas para prevenir e corrigir esse mal – que, dependendo do poder do assediador, torna as pessoas cegas para o que é óbvio.

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Esta é a Carta ao Leitor da edição 96 (fevereiro e março) da Você RH. Clique aqui para conferir outros conteúdos da revista impressa.

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