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Aceite seus próprios erros

A postura positiva perante uma falha pode ser um fator importante para o sucesso de uma organização

Por Vicky Bloch* 8 jun 2016, 09h00 | Atualizado em 5 dez 2020, 19h14
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Qualquer manual básico de gestão ou de inovação mostra o erro como fator essencial na construção do conhecimento. Quando o erro gera frustração, ele tende a impulsionar as pessoas a encontrar novas formas de resolver seus problemas, permitindo a aprendizagem e o crescimento. Seja em empresas, em governos, na ciência ou nas relações pessoais.   

O Brasil, apesar de seus relevantes índices de empreendedorismo (em geral, mais por necessidade do que por oportunidade) e de algumas boas iniciativas isoladas, ainda está longe de apresentar uma cultura de inovação e permissão ao erro. Provavelmente esse cerceamento começa na infância, quando a liberdade de expressão e a criatividade são trocadas por contextos rígidos e modelos previamente estabelecidos. Essas crianças crescem com medo de falhar e, quando adultas, se deparam com um ambiente competitivo e pouco saudável em que o importante é ganhar, ganhar e ganhar. 

Aceitar o próprio erro e rever posições são atitudes que demonstram maturidade e humildade. É preciso um maior entendimento de que a postura positiva e de crescimento perante uma falha pode ser um fator importante para levar ao sucesso de uma organização, de uma equipe ou até mesmo de um país. Não é à toa que no Vale do Silício prevalece o mantra “fail often, fail fast” (falhe sempre, falhe rápido), afinal a tolerância ao erro é parte de qualquer processo de inovação.  

Promover essa mudança de mentalidade não é fácil, mas há alguns caminhos. Um artigo publicado em outubro do ano passado pelo jornal The Wall Street Journal sobre esse tema (How not to Flunk a Failure, de John Danner e Mark Coopersmith) elencou algumas dicas para executivos aprenderem a valorizar os erros como parte do aprendizado. A primeira delas é sobre a aceitação do próprio erro. Outra sugere que o líder precisa aprender a fazer as perguntas certas em vez de apenas apontar o dedo quando algo dá errado. O que, onde, como e por que são questões que podem levar a um entendimento mais claro dos próximos passos e encorajar uma nova tentativa. 

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O ponto de que mais gosto no artigo é o que reforça o quanto a memória emocional de como o erro foi tratado implica o comportamento futuro dos indivíduos. Imagine um profissional em início de carreira que foi punido todas as vezes que tentou algo que não deu certo. Pode ter certeza que a chance de ele se tornar um profissional flexível e criativo no futuro é pequena. Os gestores precisam ter consciência disso se quiserem desenvolver suas equipes, estimular a inovação e gerar resultados sustentáveis para a empresa. 

Para os profissionais de recursos humanos, fica a missão de apoiar seus executivos e ajudar a criar esse ambiente que estimula a troca, a geração de ideias e a não punição do erro. 

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* Vicky Bloch é psicóloga, sócia da Vicky Bloch Associados e professora dos cursos de especialização em RH da FGV-SP e da FIA

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