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Pense na recuperação

A crise faz profissionais aceitarem salários menores. O risco? A evasão de talentos quando a economia melhorar

Por Daniela Diniz 16 Maio 2016, 10h00 | Atualizado em 5 dez 2020, 19h14
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Simone Madrid, formada em Administração de Empresas e diretora da People Executive, do Rio de Janeiro, conversou com a Você RH sobre a retenção de talentos em um momento pós-crise. Confira a entrevista a seguir.

Como você avalia o cenário de contratação atual? 

Vivemos um período de instabilidade econômica. A consequência é que há hoje mais pessoas disponíveis no mercado. E gente disposta a ganhar menos para se recolocar. Isso vem mudando a postura de contratação das companhias. Fechei recentemente uma vaga para um profissional que topou ganhar 20% a menos. Tem executivo que, sabendo que será cortado em breve, já parte para assumir outro desafio, com mais responsabilidades e um salário menor. 

A queda na remuneração é o principal resultado da crise? 

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Não só. Existe o acúmulo de funções também. Na hora da entrevista, a gente já avisa que a função atual engloba mais responsabilidades. A tal característica empreendedora nunca foi tão requisitada. Isso vem estimulando os executivos a desenhar em paralelo seus planos de negócios. 

Nessas trocas, as empresas não correm o risco de tornar sua mão de obra muito júnior? 

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Sem dúvida, especialmente no próprio RH. Hoje, a gente chega a negociar posições estratégicas com um analista de RH por falta de gente mais sênior na área. Tem empresa que, apavorada com o cenário, mete os pés pelas mãos. O que você acha que vai acontecer com essas pessoas qualificadas que estão aceitando trabalhar por 20% a 30% a menos quando o mercado voltar a aquecer? Haverá uma evasão enorme de talentos. 

A saída é não baixar os salários então?

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 A alternativa é conversar muito com o profissional e fazê-lo entender o momento. Nem sempre a troca será benéfica. Tem gente muito capacitada dirigindo Uber hoje e disposta a se recolocar por menos. Cabe à empresa avaliar bem o perfil do profissional que ela está colocando para dentro.

Os cariocas eram resistentes em sair do estado em busca de oportunidades. A crise mudou essa postura?

 Sim, mudou. Tem muito carioca indo para São Paulo, pois lá as possibilidades ainda são maiores, e negociando uma jornada flexível – o famoso TQQ (trabalha-se terça, quarta e quinta e faz home office nas duas pontas da semana). Essa é uma forma de compensar salários menores. Outra é apostar na remuneração variável, negociando bônus anual baseado na performance e no resultado.

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