Zuckerberg e o impacto das declarações de líderes no mundo corporativo
A "energia masculina" não está em falta. Pelo contrário: só 25% dos funcionários de empresas de tecnologia são mulheres.

Hoje, frases fora de contexto podem circular bastante e ganhar sentidos variados. Isso pode impactar a reputação de quem disse tais frases – e das empresas que essas pessoas representam. Mas elas também podem revelar certos posicionamentos.
Um exemplo recente é a entrevista de Mark Zuckerberg ao podcast do apresentador Joe Rogan. Durante a conversa, o CEO da Meta disse: “A energia masculina é boa e existe am abundância na sociedade, mas acho que a cultura corporativa estava tentando se afastar dela”. Também afirmou que “ter uma cultura que celebra um pouco mais a agressividade tem seus méritos”.
Essas frases geraram debates intensos. Alguns ouviram a entrevista completa para entender o contexto; outros propagaram as declarações isoladamente, seja para concordar, discordar ou polemizar.
Esse acontecimento reflete como as redes sociais e a cobertura jornalística lidam com conteúdos de maneira cada vez mais sucinta, promovendo interpretações variadas e, por vezes, distorcidas. No entanto, é fundamental observar como a linguagem revela posicionamentos e influencia pessoas.
A “energia masculina” no mundo corporativo
A presença masculina ainda é predominante. Segundo a pesquisa “Mulheres em Ação”, da B3, 56% das empresas listadas na bolsa brasileira não têm mulheres entre seus diretores estatutários, e 37% não têm mulheres no conselho de administração. Segundo o relatório Women in Tech, da Skillsoft, apenas 25% dos funcionários de empresas tech são mulheres, e somente 11% delas ocupam cargos de liderança.
Esses números sugerem que a “energia masculina” à qual Zuckerberg se refere está longe de ser reduzida. Ações recentes da Meta reforçam essa percepção: a empresa flexibilizou regras de moderação que protegiam grupos vulneráveis contra discursos discriminatórios em suas plataformas, como Instagram, Facebook e Threads. E essa mudança levantou, claro, questões sobre o compromisso da empresa com a diversidade e a inclusão.
Perspectivas de liderança e integração de forças
Ligia Zotini, futurista e fundadora da @voicersoficial, defende que os futuros são “Fe-Male”: exigem uma integração simbólica entre o masculino e o feminino. Exigem permitir que ambos coexistam. “Isso cria novas realidades e soluções que só a integração pode oferecer”, afirmou Ligia durante sua palestra no 2º Summit de Segurança Psicológica.
Elisa Prado e Tatiana Maia Lins, por sua vez, especialistas em comunicação corporativa e reputação, destacam que a comunicação de um CEO não é apenas um instrumento de liderança, mas também uma ferramenta de promoção de valores e estratégias organizacionais.
“Um CEO engajado ajuda a influenciar positivamente toda a empresa”, afirma Elisa, que atua como executiva da Vivo. Tatiana, fundadora da Makemake Reputação, enfatiza a importância de usar a comunicação para disseminar princípios de ESG, criando transformações culturais no ambiente empresarial.
Essas especialistas também apontam que os líderes mais eficazes são aqueles que demonstram humildade, escutam ativamente seus stakeholders e promovem propósitos corporativos alinhados às demandas sociais. “O sucesso depende do valor compartilhado com a sociedade e o planeta”, conclui Elisa.
A conclusão é: em um mundo cada vez mais conectado, as declarações de líderes corporativos têm um impacto que vai muito além de suas organizações. Elas moldam narrativas, influenciam mercados e afetam a opinião pública. Por isso, é essencial que CEOs e executivos utilizem sua linguagem com responsabilidade, equilibrando autenticidade e empatia. Afinal, palavras têm poder – e, no mundo corporativo, elas podem definir o futuro de muita gente.