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Entrevista: Simone Marques, CEO da VR

A executiva revela como integrou aquisições e tecnologia para a transição de uma marca conhecida pelos cartões de benefícios para um ecossistema de RH.

Por Alexandre Carvalho 27 set 2025, 14h04 | Atualizado em 4 jun 2026, 22h40
Imagem de uma mulher de longos cabelos loiros, sorrindo, vestindo camisa branca, segurando um par de óculos, diante de um notebook. No fundo desfocado, vê-se uma mesa e luzes.
 (@cauediniz/VOCÊ RH)
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Entrevista: Simone Marques, CEO da VR Priorizar nos meus resultados Google

Transformar uma empresa tradicional em um ecossistema de soluções integradas para RH não é tarefa para quem tem medo de mudanças. À frente da companhia desde 2024, Simone Marques lidera um movimento de reinvenção que levou a VR marca historicamente conhecida pelos cartões de benefícios a se tornar uma plataforma multifuncional. O Super Portal, novidade lançada recentemente, centraliza em um só ambiente serviços como controle de ponto, mobilidade, premiações e gestão de despesas. O objetivo? Simplificar a vida de equipes enxutas de recursos humanos e ajudar negócios a manter a proximidade com seus colaboradores, ganhando eficiência.

Mas a CEO não é só números e estratégia. A sensibilidade de Simone em relação aos colaboradores vem de uma trajetória que une resiliência, coragem e equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Ao longo de mais de duas décadas no mercado, ela viveu situações desafiadoras e aprendeu a importância de apoio, diálogo e políticas corporativas que enxerguem o profissional por inteiro.

Nesta entrevista para a Você RH, Simone Marques fala sobre as dores das pequenas e médias empresas, a importância de líderes humanos e firmes, os desafios das mulheres em cargos executivos e como concilia carreira e família. De forma franca, ela também compartilha sua visão sobre o futuro da VR nos próximos cinco anos: uma empresa cada vez mais humanizada.

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A VR lançou o Super Portal, uma plataforma que centraliza soluções de gestão de pessoas. Como essa ferramenta pode contribuir para que as empresas ganhem eficiência sem perder a proximidade com os colaboradores?

Saímos do perfil de uma empresa de benefícios para nos tornar multiprodutos. Nos últimos quatro anos, a VR adquiriu quatro companhias: a primeira, de controle de ponto; depois, a Audaz, ligada à mobilidade; no terceiro ano, a Global Points, focada em sorteios e fidelização; e, no quarto, uma especializada em gestão de despesas. O passo mais corajoso foi incorporar tudo em uma única plataforma, o Super Portal, gerando uma experiência unificada para o cliente de RH. Com isso, conseguimos reduzir em até 50% o tempo gasto em tarefas manuais. Pequenas empresas, nas quais o RH acumula funções administrativas e operacionais, ganham agilidade e economia. E fazemos tudo com dados: temos uma base poderosa para medir o impacto e a eficiência.

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Muitas pequenas e médias empresas nem têm áreas estruturadas de RH. Que caminhos elas podem adotar para enfrentar os desafios da gestão de pessoas?

Esse é um ponto crucial. Vivemos um mundo cheio de preocupações, e os colaboradores enfrentam muitos desafios. A VR orienta essas empresas para entender as demandas reais de seus trabalhadores. Crédito, por exemplo, é uma grande dor. Crescemos muito em serviços financeiros justamente para apoiar colaboradores. Também temos parcerias para levar planos de saúde acessíveis e investimos em educação e mobilidade. A ideia é olhar para o trabalhador como um todo, inclusive sua família. Acompanhar a jornada diária, até sugerindo rotas de deslocamento, é parte desse cuidado.

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Qual é o papel das lideranças para criar ambientes de trabalho mais saudáveis e sustentáveis?

Segurança é tudo. Um ambiente seguro permite troca de confiança sem retaliação ou julgamento. Isso faz uma diferença enorme na saúde mental. Pós-pandemia, percebemos muitos traumas, especialmente entre mulheres, que acumularam tarefas. Aqui, 70% dos atestados médicos que chegam aos RHs dos nossos clientes são de mulheres. Precisamos estar atentos e agir rápido.

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Tocando nessa questão de gênero, você assumiu a presidência em um ambiente ainda desafiador para lideranças femininas. Como foi, para você, receber esse convite?

Sou muito grata aos gestores que tive todos homens, mas respeitosos e positivos. Já enfrentei situações difíceis, como quando, grávida da minha segunda filha, fui chamada durante a licença-maternidade para liderar uma integração. Voltei ao trabalho com minha bebê de um mês e contei com apoio para criar um espaço infantil no escritório. Essas experiências me fizeram rever políticas: mães em amamentação, por exemplo, merecem mais flexibilidade. Quando recebi o convite para ser CEO, consultei minha família antes de aceitar. Eu sabia que precisaria do apoio deles, pois nem sempre conseguiria equilibrar todos os pratinhos ao mesmo tempo.

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Imagem de uma mulher de cabelos loiros, sorrindo, vestindo camisa branca.
“Quando entrei na VR, em 2011, como VP jurídica, fui convidada depois para assumir também a vice-presidência de pessoas. Foi um presente. Aprendi muito sobre empatia e resultados.” (@cauediniz/VOCÊ RH)

Quais estratégias você adota para conciliar carreira e filhos?

A principal foi mudar de residência. Morava em Alphaville [bairro nobre dos municípios de Barueri e Santana do Parnaíba] e passava mais de duas horas no trânsito. Então mudei para perto da Berrini [Engenheiro Luís Carlos Berrini é uma avenida de São Paulo que concentra sedes de grandes empresas], o que me deu qualidade de vida. Consigo cuidar da família, fazer exercícios e encontrar amigos. Esse ajuste fez uma diferença enorme para manter meu equilíbrio.

Como você definiria o seu estilo de liderança?

Sou muito próxima. Gosto de ouvir, perceber e agir. Uma vez, notei um funcionário cabisbaixo no corredor. À noite, mandei uma mensagem perguntando se ele estava bem. No dia seguinte, ele me agradeceu, emocionado. Liderança é isso: olhar além dos sorrisos. Sou afetiva, mas firme. Acredito profundamente na gestão humanizada.

E como é sua relação com a área de RH?

Sempre tive facilidade para lidar com pessoas. Quando entrei na VR, em 2011, como VP jurídica, fui convidada depois para assumir também a vice-presidência de pessoas. Foi um presente. Aprendi muito sobre empatia e resultados. Para mim, o RH precisa ser humano e acolhedor, mas também orientado a resultados. Só assim funciona.

Quais práticas de gestão de pessoas na VR mais te orgulham?

Sem dúvida, o desenvolvimento humano. Temos a Academia VR, com trilhas de conhecimento que incluem RH, negócios e, mais recentemente, inteligência artificial. Acreditamos que todos na empresa devem conhecer bem o negócio e vender a VR, independentemente da área.

Como você enxerga a VR nos próximos cinco anos?

Muito diferente. Hoje, 40% do nosso negócio já está em HCM [sigla para “gestão de capital humano”, em português], além dos serviços financeiros. Nosso foco é o cliente: remanejamos produtos e estratégias conforme suas demandas. Não dá para definir tudo de cima para baixo. A necessidade está no cliente, e precisamos de velocidade para atendê-lo.

Por fim, que conselho você daria para mulheres que sonham com cargos de liderança?

Persistam. Busquem apoio e não abram mão dos seus sonhos. Não é preciso adotar um “jeitão masculinizado” para chegar ao topo. Nossa sensibilidade e capacidade de multitarefa são diferenciais na vida corporativa.

 

Esta reportagem faz parte da edição 100 da Você RH, que chega às bancas dia 3 de outubro.

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