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Dia da Consciência Negra: um chamado à responsabilidade

Equidade racial deve ser tratada com a mesma seriedade que riscos financeiros ou de compliance. Ignorá-la é abrir mão de eficiência, reputação e relevância.

Por Alexandre Oliveira, em colaboração especial para a Você RH* 20 nov 2025, 16h05 | Atualizado em 4 jun 2026, 22h40
Fotografia de Colegas de trabalho em reunião sorrindo.
 (10'000 Hours/Getty Images)
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Quando se ocupa uma posição de liderança, as expectativas se multiplicam sobre nossas carreiras e próximas realizações. E se você é uma pessoa negra, os outros esperam de você algo a mais: estar no palco, mas também abrir espaço para que outros possam subir. Por isso, o Dia da Consciência Negra é para nós, antes de tudo, um chamado à responsabilidade. Para quem trilhou uma jornada de crescimento, partindo de uma origem simples e observando os preconceitos da época da minha juventude, é impossível não pensar em como transformar histórias individuais em pontes coletivas.

Comecei minha trajetória como office boy aos 16 anos, filho de pais que não concluíram o ensino fundamental. Diante das barreiras impostas pelos marcadores raciais e sociais, eu sabia que precisava ser o melhor, e a cada degrau conquistado, percebia que não bastava talento, era preciso preparo. Essa trajetória me ensinou que, embora muitos de nós tenhamos começado a corrida alguns quilômetros atrás, ainda é possível chegar longe com esforço e, sobretudo, com oportunidade.

Segundo levantamento de 2024 do Instituto Ethos menos de 7% dos cargos executivos são ocupados por pessoas negras. Essa disparidade é mais do que um dado social, é um gargalo de inovação e representatividade. Este ano, dados da FEBRABAN ainda mostram que apenas 5,3% dos cargos de liderança em grandes bancos são ocupados por negros.

A importância de reconhecer vieses

No ambiente corporativo, vieses inconscientes podem levar à exclusão, perda de mercado e até distorções na avaliação de risco. Por isso, diversidade não é apenas um valor: é parte essencial da boa governança. Hoje, clientes querem se reconhecer nas marcas com as quais se relacionam; investidores exigem práticas ESG sustentadas por dados concretos; e talentos de alta performance buscam ambientes autênticos, onde possam crescer sem precisar provar constantemente que pertencem.

Já existem sinais de avanço. A participação de profissionais negros em programas de trainee saltou de 20% para 38% em 2024 (dados do Instituto Identidades do Brasil), e grandes instituições vêm estabelecendo metas de representatividade e grupos de afinidade internos.

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Equidade racial é um tema que deve ser tratado com a mesma seriedade que riscos financeiros ou de compliance. Ignorá-la é abrir mão de eficiência, reputação e relevância. Como homem negro, sponsor e participante ativo do grupo de afinidade para pessoas negras e como vice-presidente, esse é o meu convite aos pares do setor e de outros segmentos: precisamos enfrentar essa questão com responsabilidade, abrir caminho para novos talentos, multiplicar boas práticas e derrubar crenças limitantes das nossas equipes. O futuro será liderado por quem entender que diversidade não é discurso – é estratégia, inovação e desenvolvimento humano em sua forma mais concreta.

*Alexandre Oliveira, VP de Riscos e Compliance na Getnet Brasil.

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