Como lidar com feedbacks negativos no trabalho
Algumas devolutivas podem ser percebidas como ameaças à competência profissional. Nesses momentos, é importante saber responder sem alimentar conflitos.
Já contamos por aqui que quase 43% dos brasileiros têm dificuldade em receber feedbacks negativos no ambiente de trabalho e que 13,8% sentem a necessidade imediata de defender o próprio ponto de vista nessas situações. Segundo o psicólogo Wanderley Cintra Jr., isso acontece porque a devolutiva costuma ser percebida como uma ameaça à competência profissional.
“Quando a pessoa entende o feedback como um julgamento sobre quem ela é, e não como uma observação sobre determinado comportamento, entra em modo de defesa. Deixa de ouvir para compreender e começa a ouvir apenas para responder”, explica o especialista em inteligência emocional e em comportamento no ambiente de trabalho.
Também pode acontecer do feedback ser mal-conduzido e o gestor, mesmo tendo razão, fazer a avaliação de maneira genérica ou agressiva. “É possível reconhecer que há algo a melhorar e, ainda assim, dizer que a forma como a conversa aconteceu não foi apropriada. Rejeitar a maneira como a crítica foi apresentada não significa rejeitar todo o conteúdo”, afirma.
Agora se os momentos de devolutiva são constantemente marcados por exposição pública, humilhação, ameaças ou comentários ofensivos, o problema ultrapassa a dificuldade de receber críticas. Nesses casos, o recomendado é que o profissional registre as situações e procure os canais adequados da empresa. “Inteligência emocional não significa suportar qualquer abordagem em silêncio. Significa reconhecer a própria reação, escolher como responder e estabelecer limites sem ampliar o conflito”, diz Wanderley.
A seguir, ele indica cinco passos para lidar melhor com os feedbacks.
1. Evitar uma resposta imediata
Quando a crítica desperta sentimentos negativos, reagir por impulso é um prato cheio para conflito. Para reduzir a intensidade emocional, o mais recomendado é fazer uma pausa e deixar o interlocutor concluir sua fala.
“A pausa não é sinal de fraqueza ou concordância. É o intervalo necessário para impedir que a emoção seja a única responsável pela resposta.”
2. Pedir exemplos
Em casos de avaliações amplas, é possível perguntar em quais situações aquele comportamento foi percebido. Em vez de responder “não concordo”, diga “você consegue me dar um exemplo de quando isso aconteceu?”.
3. Confirmar o entendimento
“Pelo que entendi, o principal problema foi eu não ter avisado sobre o atraso. É isso?”. Perguntas como essa reduzem ruídos e direcionam a conversa para fatos.
4. Explicar o contexto sem transformar o encontro em defesa
Ainda que apresentar informações possa ser necessário, criar uma justificativa para cada ponto transmite a impressão de que o profissional não reconhece nenhuma responsabilidade.
“Contextualizar é diferente de provar que toda a responsabilidade pertence ao outro. Quando surge uma explicação para cada crítica, o diálogo vira uma disputa para decidir quem está certo”, observa Wanderley.
5. Combinar uma ação concreta
O profissional pode perguntar o que deve mudar, qual resultado é esperado e como a evolução será acompanhada. Sem esse acordo, o feedback permanece apenas como avaliação negativa.







