O futuro da liderança inclusiva já está no presente
64% dos investidores brasileiros declaram que concederiam mais autonomia financeira aos gestores para promover transformações alinhadas aos próximos anos.
Sempre houve uma necessidade de repensar a liderança. A cada salto geracional nos colocamos o desafio de repensá-la, mas, desta vez, nos parece mais urgente. O impacto de um líder vai além dos resultados financeiros: ele reverbera na produtividade e retenção de talentos, na confiança de investidores, na lealdade de clientes e até na sustentabilidade da rede em torno de seu negócio. Em outras palavras, um líder não movimenta apenas uma organização, mas todo o ecossistema ao redor dela.
A Korn Ferry identificou que 72% dos investidores brasileiros já reconhecem que os modelos tradicionais de liderança não serão suficientes para o futuro. Isso não é uma tendência distante: é uma realidade que já está pressionando as empresas a acelerarem sua transformação.
Mesmo com tantos dados à disposição, está muito complexo prever os próximos anos com precisão, mas podemos nos inspirar em líderes que sejam aptos a navegar com agilidade, visão e consciência coletiva.
É nesse contexto que surge o conceito de self-disruptive leaders: profissionais autoconscientes, emocionalmente inteligentes e capazes de promover flexibilidade em ambientes incertos. Eles não apenas reagem às mudanças, mas as impulsionam e constroem culturas resilientes, nas quais, equipes inteiras aprendem a florescer em meio às transformações.
Como enfrentar os desafios atuais
Se os números mostram a urgência, a prática exige uma bússola. É aqui que os conceitos de liderança inclusiva, como apresentados no livro As 5 Disciplinas dos Líderes Inclusivos, oferecem o Norte:
1.Construir confiabilidade interpessoal: líderes autênticos abraçam experiências e dores, mesmo que distantes de seu próprio repertório. Isso humaniza e fortalece relações de confiança.
2.Cultivar empatia sistêmica: compreender emoções e perspectivas diversas permite navegar em conflitos de forma sutil e estratégica, sem perder o foco coletivo.
3.Motivar e liberar talentos: gestores inclusivos inspiram com intencionalidade, criando condições para que cada indivíduo cresça – e, assim, fortaleça o todo.
4.Adotar mentalidade adaptativa: romper paradigmas, ajustar planos e ampliar visões de mundo são posturas indispensáveis para manter relevância.
5.Transformar com propósito: a liderança inclusiva é, em última instância, catalisadora de transformação. Ela conecta diversidade de perspectivas a resultados concretos, sustentando negócios em contextos incertos.
Não se trata de um ideal distante. A mudança já está em curso: 64% dos investidores brasileiros declararam que concederiam mais autonomia financeira aos líderes para promover mudanças alinhadas ao futuro. Este dado combina com a experiência prática dos calls, onde as perguntas mais frequentes dos que investem têm sido: Como a empresa vai lidar com os avanços tecnológicos? Como estão trabalhando com as novas necessidades de clientes? Como estão se estruturando para a fuga dos talentos? Como pretendem investir nos próximos anos? Ou seja, o mercado espera que a gestão inspire e transpire confiança em sua jornada de transformação.
Os líderes do nosso tempo
O futuro da liderança não está apenas em antecipar tendências, está em incluir, conectar e transformar no presente. As organizações que conseguirem integrar essas peças ao seu DNA terão líderes capazes de sustentar crescimento em qualquer cenário.
Prepará-los como inclusivos e autênticos já não é mais opção: é uma necessidade estratégica. Afinal, são eles que terão a sabedoria de lidar com a ambiguidade, equilibrar performance e humanidade, inovação e propósito, mudança e consistência. O desafio é liderar o futuro, porque no fim das contas, o verdadeiro legado de um líder não está apenas em seus resultados, mas no ecossistema que ele é capaz de transformar.
*Adriana Rosa é sócia sênior e líder de práticas de consultoria para América do Sul na Korn Ferry
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